Sem jamais ter atuado por um clube de fora do Brasil, o zagueiro Edson Silva, 30, viu seu sonho virar pesadelo neste ano após aceitar uma proposta para jogar pelo Estrela Vermelha, da Sérvia. Salários atrasados, receio de ser deportado e promessas não cumpridas fizeram ele e a mulher se desesperarem. Ela, grávida de sete meses, até chorou de medo.

"Eu fui pra Sérvia em fevereiro depois que saí do São Paulo. Acabei passando só cinco meses por lá e enfrentei vários problemas. A documentação da minha família não foi entregue, teve atraso de salários. O clube combinou uma coisa e não cumpriu. Eu achei melhor rescindir o contrato e voltar ao Brasil", disse para o ESPN.com.br o hoje defensor do Mirassol.

"Jogar na Europa é o sonho de todo jogador. Tem muitos clubes para você ir, mas alguns não são tão viáveis. No Estrela Vermelha não deu certo. Eles não conseguiram resolver várias situações e eu não estava com cabeça boa para jogar. Fomos campeões nacionais, mas mesmo assim tinham coisas pendentes. Muitos aceitavam o que acontecia lá, mas para mim é inadmissível. Cobrava meus direitos já que eles nos cobravam dentro de campo."

O desabafo do zagueiro é acompanhado por uma fala triste. De origem humilde, nascido em Santa Tereza, um pequeno povoado do interior de Pernambuco, ele sempre foi conhecido nos clubes pelos quais passou pelo bom humor, pela irreverência e pelo companheirismo.

Deixou o São Paulo no final do ano passado após o fim do contrato. Foram quatro anos defendendo o clube do Morumbi, com um título da Copa Sul-Americana e um vice-campeonato Brasileiro. Não houve interesse na renovação do vínculo. Ficou um mês desempregado até aparecer a proposta do Estrela Vermelha.

A ida para a Sérvia deu ao defensor a impressão de que seria uma solução. Receberia em euros, teria a oportunidade de jogar na Europa e progredir. Foi acompanhado da esposa grávida de sete meses e do filho de sete anos. Foram apenas sete jogos pelo Estrela Vermelha, campeão nacional de 2015/16, e a rescisão contratual em julho.

"Eu sou um cara muito extrovertido, um cara de grupo. Na Sérvia eu não tinha isso pela dificuldade da língua. Tinha dois companheiros no time. Um português, o Hugo Vieira, e um argentino, Ibañez. A minha comunicação era mais com eles. Gosto de me comunicar com os companheiros. Eu tentava falar um pouco de inglês, idioma que não tenho facilidade", disse Edson Silva sobre a tentativa de se ambientar e tentar melhorar o cenário.

"Os problemas extracampo me chateavam. A diretoria não dava satisfação e não falava que o clube estava com dificuldade financeira. A coisa não acontecia", afirmou, relembrando na sequência um drama maior do que os salários atrasados.

"A documentação da minha família não estava certa. A gente tentou tirar o visto de permanência, algo que tínhamos acertado que era responsabilidade do clube. Eu fui até a polícia para obter explicação. O clube estava empurrando com a barriga. "Amanhã faremos". "Brasileiro precisa de mais tempo". Eu estava sem cabeça nos treinos e nos jogos. A equipe estava muito bem, ganhando quase todos os jogos e sabíamos que iríamos ser campeões, era só uma questão de tempo. Mas minha preocupação era outra".

"Passei muitas noites sem dormir. Esses cinco meses na Sérvia foram bem complicados. Eu não tinha paz nem minha família. Grávida de sete meses e meio, minha esposa chegou a chorar. Ficamos um pouco assustados, era minha primeira experiência fora do Brasil. Logo nela aconteceu tudo isso. Ficamos em choque".

Edson Silva revelou que com o tempo o drama familiar aumentar. Isolados na Sérvia, com contato familiar apenas pelo telefone, eles temiam pelo futuro da filha que estava para nascer.

"Tínhamos feito todo nosso planejamento para que nossa filha nascesse na Sérvia. Fizemos até enxoval por lá. Mas por causa do atraso na documentação ficamos com medo de sermos deportados. Nos deram um prazo de 90 dias [três meses] para resolver e era o que iria acontecer. Poderíamos ir embora, deportados, e ela [a filha que estava para nascer] ficar no país por ser cidadã sérvia. Pegamos informações com advogados e tudo mais e tomamos atitude. Para minha família era difícil, mas voltamos ao Brasil com minha esposa no oitavo mês de gravidez e nossa filha nasceu em Maceió", contou o zagueiro.

BASE FAMILIAR E FUTURO

Apegado aos parentes, que ainda moram em Santa Tereza, especialmente o irmão Eduardo, um dos cinco que Edson Silva tem, o zagueiro procurava amenizar a realidade durante as conversas por telefone. Mas o abatimento era quase impossível de camuflar.

"Eu conversava sempre com a minha família, que ficou no Brasil em Pernambuco, e tentava amenizar a situação para não deixá-los preocupados. Mas só pela minha voz e pelo meu jeito de falar minha mãe percebeu. Meus avós também perceberam. Falava com meu irmão Eduardo quase todos os dias, meu braço direito. Ele é o cara que mais tenho afinidade. Todos perceberam que algo não estava indo bem", contou com a voz triste.

Edson Silva disse que a volta para o Brasil animou a família. Nem mesmo o fato de ter ficado cinco meses desempregado até ser contratado pelo Mirassol o desanimou. Anunciado há uma semana, ele já está contando em fazer um bom campeonato.

"Acabei voltando ao Brasil, curtindo um pouco mais a família e fiquei cinco meses só treinando para manter a forma. Minha esposa teve a bebê aqui e ela já tem seis meses. Agora que está tudo bem eu espero em 2017 retornar a atividade no Paulistão e retomar a minha carreira firme e forte para no segundo semestre conseguir alguma coisa boa. Na vida tem certos momentos que precisamos parar e pensar na carreira. Para saber o que realmente a gente quer", refletiu.

Sobre o Mirassol, ele assinou um contrato até o final do Estadual, uma vez que a equipe do interior paulista não disputa nenhuma divisão nacional. Ainda assim é uma oportunidade para Edson Silva tentar retomar a carreira e renascer para o futebol brasileiro.

"O Mirassol abriu as portas para mim, é um clube espetacular. Da todas a condições de trabalho para mim. Agora é retomar os treinamentos estou muito bem e queremos classificar entre os oito. É o nosso maior objetivo. Quero agarrar essa chance com unhas e dentes."

postado por Hidon às 10:47
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Em um dia de junho de 2006, o mundo de Milly Lacombe caiu. Estava no auge, após haver feito, como comentarista do Sportv, uma Copa do Mundo muito boa. Era reconhecida nas ruas, seu trabalho era elogiado na TV Globo, participava de muitos programas. Falava bem e sua voz era ouvida. Então, em um dos muitos programas que participava, fez um comentário ácido sobre Rogério Ceni.

Diz que não tinha simpatia por ele. Até aí, tudo bem. Depois, que não confiava nele porque o goleiro havia falsificado uma assinatura em uma proposta falsa do Arsenal para se transferir.

Falsificação é crime. E foi isso que ela ouviu, no ar, de Rogério Ceni. O goleiro telefonou para a emissora e teve o direito de confrontar Milly ao vivo. Prometeu um processo. Cumpriu.




A carreira de Milly decaiu. Foi para a geladeira. Depois, para a Record. Hoje, vive em Nova York, com sua mulher, uma advogada. Como Fernando Sabino, fez da queda um passo de dança. E diz, com absoluta convicção, que é uma pessoa muito melhor do que foi. Abaixo, a entrevista, feita por e-mail.

UOL ESPORTE: Você era um dos principais comentaristas do Sportv. Estar assim no auge fez com que você se descuidasse e falasse que o Rogério falsificou a assinatura na proposta do Arsenal que apresentou ao São Paulo. Como um goleiro que pensa já ter a bola dominada, imagina o que vai fazer com ela e acaba levando um gol?

Acho que teve um pouco disso sim, mas se fosse apenas como o goleiro que tem a bola dominada e perde teria sido um erro cometido por displicência, e no meu caso acho que arrogância foi um componente forte.

Televisão é um meio traiçoeiro, porque mexe com a vaidade como nenhum outro. Que emprego tem como punição mandar o cara para casa com salário pago? Na TV a punição por um deslize é tirar a pessoa do ar por um tempo, a famosa geladeira. Ou seja, você fica em casa, recebendo salário e sem ter que trabalhar. Quase um prêmio em outras profissões, mas para quem trabalha em TV a geladeira é a antessala da morte.

Lembro da sensação de quando comecei a ser reconhecida na rua. É uma injeção de adrenalina, uma massagem no ego. Uma vez estava num restaurante e uma menina se aproximou e disse: “posso te fazer uma pergunta?”. Na mesma hora eu já cresci e fiquei muito orgulhosa de mim mesma. Eu sabia que ela queria um autógrafo, ou uma foto. E ela disse: “Onde você comprou essa bolsa?”. Eu preferia que ela tivesse me dado uma bofetada. Se é o olhar do outro que faz a gente existir, o olhar de centenas de outros faz com que tenhamos a ilusão de que existimos à milionésima potência.
Se a pessoa não está preparada – e eu claramente não estava – isso pode elevá-la a um lugar perigoso, ególatra e arrogante. Foi o que aconteceu comigo. Nos corredores me chamavam de lado para dizer: “você vai para o Esporte Espetacular''. “Você vai para o Jornal de tal hora com certeza''. “Você é muito boa!'' Você vai se dar muito bem!” E isso foi me deixando segura e, como era imatura, essa segurança se transformou em arrogância. E a arrogância faz você achar que jamais errará.

UOL ESPORTE: Quando ele ligou para o programa, no ar, você percebeu imediatamente que havia errado?

Quando, depois que eu falei, chamaram o intervalo, eu vi a correria nos bastidores e entendi que havia feito uma merda. Ficava perguntando em voz alta o que exatamente eu tinha falado de errado, mas não me responderam. Quando a programação voltou e eu vi ele sendo anunciado para entrar no ar sem que eu tivesse sido avisada, gelei. Já não havia mais o que fazer porque estávamos ao vivo e eu percebi depois de alguns segundos que ele tinha ligado para me confrontar. Mas as câmeras já estavam em mim e o microfone aberto. Eu estava em queda livre e enxergando o inevitável: o chão se aproximando. Aí já estava muito claro que eu havia tropeçado, mas não sabia qual havia sido meu erro ainda.

UOL ESPORTE: Depois do programa, você teve apoio dos amigos?

Ah, amigos de verdade não vão embora depois que você erra. Acho que eles ficam por perto torcendo para que o erro seja digerido.

UOL ESPORTE: Tentou falar com Ceni?

Não, não houve espaço para isso. Falei com ele na audiência conciliatória, mas estávamos com nossos advogados e na frente de um juiz. Ele foi educado.

UOL ESPORTE: Alguém tentou uma aproximação?

Não.

UOL ESPORTE: O Ceni tentou uma conciliação?

Não.

UOL ESPORTE: Quando o caso foi para a Justiça, você foi afastada?

Eu fui afastada logo depois. A tal da geladeira. Fiquei bastante tempo, alguns meses, mas não lembro quantos. Aí voltei para o Arena e para os comentários em jogos

UOL ESPORTE: Quem pagou seu advogado?

A Globo cuidou de tudo.

UOL ESPORTE: Quanto você teve de pagar?

Nem sei quanto acabou ficando o acordo no final, soube que ficou muito longe do pedido inicial, embora não saiba dizer exatamente quanto. A Globo pagou.

UOL ESPORTE: Quais as consequências para você?

Acho que as consequências foram morais mais do que qualquer coisa. Você passa por várias fases logo depois de cometer um erro tão grande. Se errar sozinho dentro de um quarto já é ruim, imagina errar em rede nacional de TV. O baque é grande.

A primeira sensação é sempre tentar culpar alguém. Aí você finalmente entende que podem até ter te oferecido uma arma, mas quem apontou a arma para a própria cabeça e puxou o gatilho foi você. Na hora em que você percebe que não há quem culpar e que a responsabilidade do erro é sua as coisas mudam um pouco. Não ficam mais fáceis, mas aceitar a dor e o fracasso abre caminho para o resgate. E foi o que aconteceu.

Acho que o fracasso é subestimado nessa sociedade que não aceita nada menos do que o sucesso absoluto, que, pelos valores de hoje, é medido pelo dinheiro e pelo poder e por nada além disso. O fracasso humaniza. Ganhar é bom, mas perder é fundamental. No meu caso ele foi uma salvação. Eu acho que seria uma pessoa arrogante e cheia de pompa se não tivesse fracassado dessa forma. Ter que entender o erro, e depois aceitar, e depois superar e perdoar você mesma são lições muito valiosas.

UOL ESPORTE: Parou de comentar?

Algum tempo depois de voltar ao Sportv fui convidada para comentar a Champions League na Record. Foi uma decisão difícil, mas eu achei que deveria ir. Fiquei um ano por lá e foi uma experiência ótima. Aí eles perderam os direitos de transmissão, meu contrato acabou e eu saí.

UOL ESPORTE: Recebeu novos convites?
Depois da Record, não.

UOL ESPORTE: Como você começou a gostar de futebol?
Sou a filha mais velha e meu pai não fez distinção entre uma primogênita ou um primogênito e desde sempre me levou com ele ao Maraca. Íamos na arquibancada, eu tinha uma almofadinha com as cores do time que levava comigo para o cimento ficar menos duro. Ele era torcedor do Flu, e me ensinou a amar aquelas três cores e o jogo. Eu aprendi sobre tática e estratégia muito cedo porque ele me tratava como um “amigão” e comentava e explicava e instruía a respeito do jogo e de toda a sua beleza. Foi mesmo amor à primeira ida. Eu virei uma obcecada. Eu só falava de futebol, só queria ler os cadernos de esporte, a Placar, a Manchete Esportiva, o Jornal de Esportes, escutar a Rádio Globo AM. O futebol fez o mundo e a vida fazerem sentido para mim. Minha mãe achava que eu era doente, e eu de fato era em certa escala.

UOL ESPORTE: Como você começou a comentar? Se espelhou em alguém?
Tive um grande amor que era a pessoa que mais entendia do jogo no mundo e que complementou os ensinamentos de meu pai. Antes, com ele, aprendi a ser crítica e debochada, que era como ele via os jogos. Mas esse meu grande amor tinha uma crítica fina e apurada, e um conhecimento absurdo de jogadores e de táticas e de estratégias e de como o jogo poderia mudar e de como um jogador ela amava sobre todas as coisas da terra, e agora é minha missão torcer por duas.

UOL ESPORTE: Tinha algum bordão como comentarista?
O futebol é imprevisível como a vida, e por isso me interessa. Acho que o futebol não deve ser entendido, mas sentido. Gosto de pinçar heróis porque outra vez como na vida, no jogo é possível ser herói por um dia. Não tinha nenhum bordão, mas um dia, numa transmissão com o Odinei Ribeiro em São Caetano, um jogador do São Caetano ficou na cara do gol e deu um chute daqueles que a bola quase sai do estádio. E eu disse: isso não foi um chute, foi um desabafo. O Odinei riu, e eu depois também achei engraçadinho. Se eu tivesse ficado mais tempo na TV talvez pudesse ter usado mais.

UOL ESPORTE: Você prefere usar a expressão assumir ou expor quando se fala da condição sexual de uma pessoa?
Acho que é correto sim o “assumir”. O gay, na verdade, não escolher ser gay, por isso implico muito com “opção sexual”. Não é de fato uma opção, é uma orientação. A escolha que existe é entre mentir ou não mentir, esconder ou não esconder, assumir ou não assumir – a única escolha que o gay não tem é a de ser ou não ser gay.

UOL ESPORTE: Você deixava claro ser lésbica na Globo? Houve algum constrangimento?
Assim que eu fui contratada me pediram para não fazer alarde com minha sexualidade. Eles sabiam da coluna da TPM, na qual todos os meses eu falava sobre ser gay abertamente, e explicaram que não queriam que eu mentisse, mas achavam que já era suficientemente subversivo ter uma mulher comentando futebol na TV e que talvez estivesse de bom tamanho falar sobre isso apenas na revista. Achei bastante razoável o argumento, e nunca precisei falar sobre isso no ar, mas teria falado sem problema se o assunto tivesse vindo à tona.

Era um assunto tratado normalmente por todos. Não houve constrangimento, muito pelo contrário. Nas vans, indo para os jogos, o assunto era mais um entre tantos. Os rapazes eram todos muito elegantes e educados. O pessoal do dia a dia, e caras como Jota Jr., Milton Leite, Noriega, Cereto, Marco Aurelio Souza, Leifert… e tantos outros, esses caras sempre me acolheram com muito afeto e respeito. Eu ficava sabendo de um ou outro que, numa reunião ou na cafeteria quando eu não estava, se referia a mim de forma vulgar, mas acho que era mais pelo fato de eu ser mulher do que ser gay. É que nessa hora é mais fácil usar a homossexualidade para tentar ofender.

UOL ESPORTE: E na Record, com seus bispos?
Também foi bastante tranquilo, embora o assunto nunca tenha sido tratado, nem no ar nem fora dele.

UOL ESPORTE: Seria possível hoje dizer na televisão o que você escreve no Twitter com tanta naturalidade? “Fui com minha mulher para Nova York etc”?
Acho que falar sobre minha homossexualidade seria tranquilo, não vejo muito como poderia ser censurada nessa área, mas também não vejo isso sendo um tema em canal de esportes. Não ainda.

UOL ESPORTE: É mais fácil ser gay no papel do que na telinha da TV?
Na TPM, com certeza. Trabalho para a editora Trip há 14 anos, talvez mais, e nunca tive uma vírgula censurada. Muito pelo contrário: O Paulo (Lima), o Califa (Carlos Sarli) e o (Fernando) Luna e sempre deram asas às minhas loucuras. Aliás, eu só escrevo hoje porque o Paulo um dia me pediu um texto. Nessa época eu trabalhava com publicidade, vendendo anúncios em revistas. Mas aí fui passar um tempo na California e o Paulo, que eu conhecia do meio, me pediu um texto sobre uma corrida de aventura que tinha acontecido no Canada. Eu disse: eu não sei escrever. E ele: Sabe sim, basta me contar uma história. Foi o que eu fiz, ele gostou, e eu nunca mais parei de escrever. Eu tinha 29 anos. Mas não sei se seria tão tranquilo sair do armário ou ter uma coluna temática em outras revistas femininas, que infelizmente ainda são muito caretas e conservadoras. A TPM lançou a coluna há quase 15 anos.

UOL ESPORTE: Você fala sobre o tema com naturalidade, mas não levanta bandeira alguma. É a melhor maneira de enfrentar preconceitos?
Acho que é uma das formas. A ideia com a coluna da TPM, que trata da minha homossexualidade em crônicas mensais, era banalizar o tema mostrando que minha vida tem as mesas dores e problemas e alegrias e conquistas e fracassos que qualquer outra vida heterossexual. Nada muda. Então eu conto sobre meu dia a dia e, de passagem, falo de minha mulher, ou de uma ex-mulher.

UOL ESPORTE: Como foi a entrevista que você fez com a Laís de Souza? Você sabia que ela é gay? Sabia se ela queria tornar público?
Não, eu não tinha a menor ideia. Foi uma surpresa. Ela falou no final, eu perguntei se poderia usar na matéria, ela disse que sim porque era uma coisa natural para ela. E a Trip tratou de forma elegante, sem alarde. Eu escrevi exatamente como ela me contou, entre vírgulas, e deixamos assim. A sexualidade de uma pessoa não a define, e a Lais é muitas coisas além disso. Mas a reação da mídia me assustou muito. Não esperava tanto sensacionalismo, tanto desespero por saber mais sobre isso. Fico pensando o que mais tem a ser dito depois que alguém diz que tem uma namorada. Todo o resto que vem depois disso me parece exploração e invasão puras. Se metade dessa curiosidade midiática tivesse sido usada para apurar o Tremsalão, por exemplo, talvez o escândalo não tivesse terminado em pizza.

UOL ESPORTE: Como a “confissão'' saiu: Naturalmente ou você ficou perguntando?
Ela falou no meio de uma resposta qualquer, era um outro assunto, não estávamos nem falando sobre relacionamentos. Acho que a geração da Lais não considera a sexualidade um tabu, ou um assunto que valha tanto debate. Como ela mesma disse, e os veículos que repercutiram a entrevista escolheram ignorar, ela “está gay”.

UOL ESPORTE: Como você escreveu outro dia, se todos os atletas assumissem sua condição sexual no mesmo dia, acabaria de vez esse assunto? Deixaria de ser notícia?
Acho que deixaria de ser esse escândalo. Todos poderiam ver que gays estão por todos os lados, em todas as profissões, são de todas as cores e classes sociais, isso ajudaria a banalizar. A notícia perderia o encanto porque já não teria tanta graça fuçar a sexualidade das pessoas. Acho que acabamos nos entregando à tentação de limitar a sexualidade humana entre gays e héteros e assim rotulamos um assunto muito mais complexo e interessante. A gente é tantas coisas, e o amor tem tantas formas. Mas ao mesmo entendo que por enquanto tenha que ser assim. A evolução acontece de forma lenta, e estamos evoluindo apesar de haver dias que parecem mostrar justamente o contrário.

UOL ESPORTE: Morando em Nova York, você tem acompanhado futebol da MLS? Sente que o americano já gosta do soccer?
Não… Os americanos não gostam do jogo ainda. Na Copa foi legal porque eu ia ver os jogos dos Estados Unidos num bar e eles estavam muito empolgados. Acho que eles levam a coisa a sério quando se trata do time nacional, mas eles não entendem muito um jogo jogado com os pés. Como um amigo me disse um dia: “por que vocês gostam tanto de um esporte em que não se pode usar os braços? Por que deixar as coisas mais difíceis?”. Ainda é um jogo “para mulheres” por aqui, e não sei se isso um dia muda. E tem os entraves publicitários porque todos os esportes aqui têm tipo dez mil intervalos comerciais por jogo, e o futebol não permite isso. Então, essa falta de apoio da mídia, que não tem interesse no “soccer” porque não pode lucrar muito com ele, também atrapalha.

UOL ESPORTE: O que achou dos 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil na Copa?
Achei justo, esperado, espetacular para dizer a verdade. Eu não me comovo com essa seleção há muitos anos, e enquanto a CBF estiver à frente das coisas não voltarei a me comover. Os 7 a 1 foram construídos desde os anos 80, quando decidimos que as seleções de Telê provaram que jogar bem era sinônimo de não ganhar coisa nenhuma e decidimos que jogaríamos dando botinadas, mas ganharíamos. Nessa hora esquecemos quem éramos, pegamos os meias e dissemos: “meu filho, aprende a marcar e esquece essa história de driblar e lançar. Vem aqui que vamos te ensinar a das uns carrinhos e simular umas faltas”.

Nosso jogo hoje é acovardado e retrancado. E aprendemos a ser arrogantes (dentro e fora de campo, basta ver as entrevistas organizadas pela CBF, um show de patadas e tiradinhas de sarro da cara de repórteres e piadas infames. É esse o espírito que acaba entrando campo), coisa que o povo não é. Acho que o jogo tem que ser reflexo da cultura de um povo, e o nosso não é mais isso. Não é mais alegre, driblador, descontraído. E tem um preço que se paga por abrir mão de coisas tão importantes e verdadeiras. Demorou, mas pagamos. E não acho que tenhamos sanado essa dívida, até porque não me parece que tenhamos aprendido muita coisa com os 7 a 1.

UOL ESPORTE: Quais os grandes jogadores brasileiros de hoje. Arrisca fazer uma seleção?
Eu acho que mais importa voltar à filosofia antiga do que pinçar a melhor lista de jogadores. São tantos bons, tantos capazes, tantos acima da média… Acho que quaisquer 11 bem treinados e adaptados à filosofia do nosso jogo fariam com que o Brasil voltasse a emocionar. Mesmo tratando a base mal, mesmo não buscando mais formar meias, mesmo ensinando a marcar acima de qualquer coisa fomos capazes de gerar um Neymar, um Ganso (ai, eu gosto dele), capazes de ter um goleiro como o Cavallieri, que eu considero espetacular. E realmente acredito que se a gente convocasse o Renato Augusto, para citar um jogador que acho acima da média e com potencial para se adaptar, e insistisse em fazer um time que jogasse bola ele acabaria brilhando. Há outros Renatos Augustos por aí, e a gente poderia ter uma seleção deles desde que respeitássemos nossa escola e nossa cultura.

UOL ESPORTE: Quem é seu treinador preferido?
Hoje, no Brasil, Tite. Na nossa história, Telê. E na história do futebol, Rinnus Mitchel e Guardiola.

UOL ESPORTE: Sente falta de ver a Libertadores?
Muita. Mas sinto mais falta de ver o Corinthians em campo, mesmo que seja no Paulistão contra o Ituano.

postado por Hidon às 17:38
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Por sorte ou azar, Paulo Frederico Benevenute, o Paulão Desmaio, ficou conhecido no futebol não pelas falhas e deficiência técnica, mas sim por ter desmaiado ao ser apresentado ao São Paulo Futebol Clube em 1999.

Após ficar mais de 10 horas sem se alimentar, Paulão desmaiou em plena entrevista durante a apresentação ao tricolor, surgindo um mito dos anos 90: o Paulão Desmaio.

Além de defender o São Paulo, Paulão Desmaio jogou pelo Vitória de Guimarães de Portugal, pelo Santa Cruz, Juventude, Guarani, Al Khor, Atlético Sorocaba, Vasco da Gama, Rio Branco e Grêmio Barueri.

Em 2015, Paulão Desmaio iniciou carreira de técnico da sub 15 do Votorantim. Na época, Paulão comentou o fato de até hoje ser lembrado por desmaiar na apresentação ao São Paulo.

Continuam lembrando porque a internet ajuda [risos]. Levo na brincadeira, tenho amigos e pessoas que perguntam. Mas a minha carreira não foi pautada só pelo desmaio. Tem que saber levar, e levar na alegria, porque se você não conseguir sorrir com as coisas pequenas, não saberá sorrir com as grandes pondera.

Aposentado dos gramados desde 2009, Paulão hoje é "tietado" pelos pais são-paulinos dos garotos votorantinenses, que recordam-se das suas atuações com a camisa do time do Morumbi. E sobre o desmaio, ele encerra o assunto com bom humor.

Agora tomo café antes de vir treinar – diverte-se.

postado por Hidon às 13:27
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Autor de um dos gols mais importantes da história do São Paulo Futebol Clube atende pelo nome de Carlos Luciano da Silva. Gaúcho de Porto Alegre no documento, Mineiro no futebol, o herói do tricampeonato mundial tricolor hoje vive feliz com sua família na Alemanha, longe de qualquer badalação, três anos depois de pendurar as chuteiras.
 
“Se eu não fizesse aquele gol, talvez nem lembrassem de mim”, brincou o ex-volante em contato por telefone com a Gazeta Esportiva . “Tive o privilégio, fui abençoado de fazer o gol. Foi um grande marco na minha carreira e na história do São Paulo”, continuou.
 
Mineiro mudou-se para a Alemanha depois de dois anos no Tricolor, onde, além de marcar o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Liverpool no Mundial de 2005, conquistou a Libertadores e o Paulista daquele mesmo ano, e o Brasileiro de 2006. Vivendo o auge da carreira, o jogador rumou para o Hertha Berlin, da Alemanha. E, depois de uma breve passagem pelo Chelsea, voltou para o país germânico, de onde nunca mais saiu.
 
“Passando a primeira fase de adaptação ao clima, pudemos parar para pensar e ver que, apesar de tudo, (a Alemanha) era um país interessante, que oferecia muitas oportunidades para a família. A adaptação dos filhos foi rápida, e então decidimos esperar um pouco até que, hoje, estamos vivendo um momento muito bom, de estabilidade”, falou Mineiro.
 
O pequeno gigante de 1,69m também revelou que o tamanho quase barrou seu sonho de tornar-se profissional na época das categorias de base. "Não me aceitaram na base do Inter de Porto Alegre, diziam que eu não tinha altura para ser jogador profissional. Foi muito difícil eu conseguir assinar um contrato profissional", disse o herói do tri, que teve sua primeira oportunidade da carreira no Rio Branco, de Americana (SP).
 
Depois de duas temporadas jogando apenas por "diversão" e com um salário simbólico de 2 mil euros mensais (o equivalente a R$ 4,8 mil na cotação de 2011) no TuS Koblenz, da quarta divisão local, o volante decidiu encerrar de vez a carreira em 2012, aos 37 anos. "Poucos clubes teriam interesse no meu futebol, então vi que era a hora de cuidar da família e construir uma estabilidade para poder ficar por aqui", conta.
 
Em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva , Mineiro fala sobre o Mundial, o início de carreira, a vida na Alemanha e muito mais. Confira!
 
Gazeta Esportiva: Afinal, por que o apelido Mineiro?
 
Mineiro: Meu irmão jogou nas categorias de base do Internacional e havia um jogador no profissional chamado Cláudio Mineiro lateral esquerdo. E o pessoal começou a chamar meu irmão de Cláudio Mineiro, de brincadeira, já que eles eram parecidos. E quando eu entrei na base do Inter o pessoal começou a me chamar de Mineirinho. O apelido acabou pegando e ficou como meu nome do futebol.
 
GE: Você passou dificuldades no início de carreira aqui no Brasil?
 
Mineiro: No início de carreira, a grande dificuldade foi a parte de se profissionalizar. O pessoal achava, principalmente no Sul, na base do Internacional, que eu era muito baixo para me tornar atleta profissional. Até assinar meu primeiro contrato profissional com o Rio Branco de Americana, foram muitas dificuldades, muitas portas que se fecharam. Mas depois do Rio Branco, tive um processo diferente da maioria dos atletas de alto nível, que quando despontam com 18 ou 20 anos já têm a oportunidade de sair para a Europa, ou para um time grande. Eu despontei um pouco tarde, com 28 ou 29 anos, quando saí do São Caetano para o São Paulo. Foi o auge da minha carreira no Brasil, e daí para a frente eu fiquei mais conhecido no cenário do futebol.
 
GE: Quais são suas principais lembranças do tri Mundial?
 
Mineiro: Enquanto eu estava no Brasil, não tinha a verdadeira dimensão do que representava um Mundial. Mas hoje, vivendo aqui fora, vendo como é o investimento dos clubes, as estruturas, você tem uma noção maior do quanto representa. Acredito que éramos uma equipe forte, competitiva, mas não éramos tão badalados como o Liverpool naquela época. Éramos um time criticado, mas focado naquilo que queríamos, aguerrido. Era um time de mais garra que técnica. E conseguimos grandes conquistas naquele espaço de tempo que estivemos no São Paulo.
 
GE: Como autor de um dos gols mais importantes da história do São Paulo, você se sente pouco valorizado pelo clube?
 
Mineiro: Eu particularmente não penso dessa forma. Naquela altura, o gol foi logicamente importante e marcante, mas não vejo meu mérito maior do que o dos atletas que estavam em campo. Tive o privilégio, fui abençoado de fazer o gol. Tenho total consciência de que, se eu não fizesse aquele gol, talvez as pessoas nem lembrassem de mim hoje. Então foi um grande marco na minha carreira e na história do São Paulo, mas os méritos são divididos com todo o grupo. Se qualquer outro marcasse o gol, teria esse mesmo pensamento.
 
GE: Aquela dupla sua com o Josué ficou bastante marcada como a alma daquele time de 2005. Ele foi o melhor parceiro da sua carreira?
 
Mineiro: Tive muitos companheiros, mas com o Josué foi diferente, tivemos a oportunidade de jogar num momento muito importante da história do São Paulo. Construímos algo meio diferente das características do clube, que sempre foi mais técnico. A gente conseguiu, com as nossas características, ajudar o São Paulo a ser um time mais operário, mais trabalhador. E com esse tipo de jogo ajudamos a construir algo novo no São Paulo. O Josué foi um dos melhores companheiros que eu tive, e justamente pelo que a gente viveu dentro do São Paulo.
 
GE: Vocês continuaram a amizade depois desse período?
 
Mineiro: A gente tinha bastante contato enquanto o Josué jogou aqui na Alemanha, no Wolfsburg. Depois que ele voltou para o Brasil, acabamos perdendo um pouco o contato, mas sempre que posso procuro acompanhar o trabalho dele.
 
GE: Você continua acompanhando o São Paulo, fica por dentro das notícias?
 
Mineiro: Um pouco mais superficialmente. No dia a dia aqui estou sempre colhendo informações, vendo como está o andamento das coisas e acompanhando o máximo que eu posso.
 
GE: Hoje, o São Paulo vive um período de crise política. Na época que você atuou, como era a questão política?
 
Mineiro: Não posso falar com propriedade sobre isso, porque não acompanho de perto, então seria injusto da minha parte. Mas na época que joguei no São Paulo, sempre surgiam polêmicas, mas eram filtradas de maneira diferente. Talvez não chegassem com tanta força à imprensa. As informações eram mais trabalhadas. Mas não tem como comparar as administrações.
 
GE: Como foi a decisão de se mudar pra Alemanha?
 
Mineiro: A princípio, recebi a oferta de vir para a Alemanha, estava no São Paulo ainda. Fiquei até um pouco resistente, ainda não tinha tido uma experiência internacional. Mas talvez aquela fosse minha última oportunidade de jogar no exterior. E decidi apostar nisso, apesar de tudo, das portas abertas que tínhamos no Brasil. Os primeiros meses foram muito difíceis, até pensamos em retornar ao Brasil.
 
Mas passando essa primeira fase de adaptação ao clima e tudo o mais, a gente pôde pegar algumas coisas e ver que, apesar de tudo, era um país interessante, que oferecia muitas oportunidades para a família. A adaptação dos nossos filhos foi muito rápida, então a gente decidiu esperar mais um pouco e hoje estamos vivendo um momento muito legal em termos de família na Alemanha.
 
GE: Quais são suas atividades?
 
Mineiro: “Estou sempre envolvido com esporte. Tenho uma empresa que presta serviço aos atletas que vêm para cá. Damos suporte a eles para entenderem como funciona, ajudamos nos primeiros passos, de encontrar casa, escola para os filhos, como adaptar a família. É uma empresa que faz trabalho de auxílio para que os atletas possam focar em seu trabalho dentro de campo”
 
GE: Como foi o momento de parar de jogar?
 
Mineiro: Depois do Schalke, em 2010, eu já sabia que o mercado da Europa é um pouco diferente, ainda mais porque eu vim meio tarde. Eu também nunca tinha trabalhado nenhum marketing ou lobby em cima do nome do atleta Mineiro. Mas foi uma boa experiência, poucos clubes tinham interesse em me contratar com idade avançada, então decidi que era hora de cuidar da família e olhar para o futuro, se eu realmente quisesse ficar na Alemanha. Entre 2011 e 2015, pude organizar minhas coisas para ter estabilidade e ficar.
 
GE: E o idioma, já está fluente?
 
Mineiro: Meus filhos falam mais alemão do que português. Eu e minha esposa tivemos um pouco de dificuldade, é um idioma muito diferente daquele que estamos acostumados. O inglês, que eu achei que nunca ia conseguir falar, é o que eu mais uso aqui. Mas a gente tem um alemão suficiente para resolver as coisas pessoais e mais básicas para poder sobreviver.
 
GE: Você, que acompanhou de perto a evolução do futebol alemão, esperava o título mundial em 2014?
 
Mineiro: Na verdade, não é nenhuma surpresa. O trabalho que eles fazem, toda a estrutura que eles apresentam para os atletas, coroam um trabalho fenomenal, que no mínimo é digno de ser copiado. Então, era questão de tempo que desse certo. Há um trabalho de alto nível, de formação de jogadores. Foi algo planejado, que eles trabalharam. E eles são bem competentes e disciplinados naquilo que eles querem alcançar.
 
 
GE: Como foi o dia do 7 a 1 para você?
 
Mineiro: Eu estava no Brasil, mas não assisti ao jogo, estava no voo de Recife para Porto Alegre. O pessoal de bordo que passava para a gente o que acontecia no jogo. A reação era estranha, achávamos que estavam brincando com a gente. Toda hora alguém passava falando: ‘um a zero, dois a zero, três a zero’. Só fomos confirmar que era verdade aquilo quando aterrissamos em Porto Alegre.
 
GE: E as brincadeiras dos alemães?
 
Mineiro: Os alemães ficam até um pouco constrangidos de brincar, de modo geral, nem eles acreditam muitas vezes. Eles são bem cautelosos na hora de brincar, a não ser que você dê muita liberdade, mas normalmente, sem ter um motivo, eles não tocam no assunto.
 
* Especial para a Gazeta Esportiva
postado por Hidon às 17:10
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Aos 36 anos, ex-atacante ficou conhecido por se envolver em caso de adulteração de idade, mas agora volta ao futebol justamente para comandar a formação de jogadores

 

Sandro Hiroshi está de volta ao futebol, mas para  atuar nos bastidores. Aos 36 anos, o ex-atacante foi anunciado como coordenador da categoria sub- 17 do Rio Branco.

Quando profissional, ele teve passagens por vários clubes, entre eles São Paulo e Flamengo, e agora estreia como cartola justamente pela mesma equipe que despontou para o cenário nacional.

– Ele vai estar no comando do sub-17.  Nós escolhemos o Sandro devido ao fato dele já ter trabalhado aqui no Rio Branco há um bom tempo – afirmou o presidente do clube Valdir Ribeiro.

Hiroshi tem história no Tigre e chega para fazer parte do projeto que visa instaurar uma filosofia de jogo em todas as categorias, desde a base até o profissional. O intuito é recuperar a tradição do Rio Branco em revelar novos atletas, além de montar uma equipe para retornar à Série A2 em 2017 após o clube ser rebaixado à terceira divisão do futebol paulista nesta temporada.

Sandro Hiroshi, ex-atacante (Foto: Reprodução EPTV)
Rio Branco quer recuperar a tradição de revelar jogadores (Foto: Reprodução EPTV)


– O objetivo dessa parceria é fazer uma transição mais tranquila dos jogadores da base para o profissional – completou Ribeiro.

Quando profissional, Hiroshi ficou marcado pelo escândalo de adulteração de idade, descoberto em 1999, quando ele vivia um bom momento pelo São Paulo e era vice-artilheiro do Paulistão. Por cinco anos ele jogou com data de nascimento alterada. Sandro foi julgado e punido pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) e foi penalizado com 180 dias de suspensão.  

Após pendurar as chuteiras em 2013, em passagem pelo Tigre, Hiroshi passou a dedicar-se ao tiro esportivo, onde foi campeão paulista da classe B e o vice-campeão brasileiro da classe C.

*colaborou sob supervisão de Guto Marchiori

postado por Hidon às 12:01
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    27
    Jun

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postado por Hidon às 15:08
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