Boa parte dos leitores, para não dizer todos, já compareceram alguma vez ao estádio. Quem frequenta o local conhece a magia de acompanhar a partida ao vivo.

Muitos na verdade só assistem a jogos dessa forma, recusam-se as narrações televisivas, os replays e “tira-teimas”, para viver todo esse momento in loco.
Quem está presente nesse local de constantes emoções sabe que existe um ingrediente essencial para elevar ao máximo aquelas duas horas: as Torcidas Organizadas.
Dragões da Real
 
Grupo sempre muito polêmico, seja pelos atos violentos que por vezes surgem, seja pelo modo que agem no estádio e seus arredores, ou mesmo por suas declarações. Entretanto, não há torcedor que não se renda aos gritos entoados por elas em um Morumbi lotado. Quando o caldeirão está pegando fogo em uma grande final com quase 70 mil no mesmo coro. Sim, são elas as responsáveis por empurrar o time e, muitas vezes, outros setores do estádio.
O São Paulo, divide-se principalmente em duas torcidas, a Torcida Tricolor Independente (TTI) e a Grêmio Recreativo Torcida Organizada Dragões da Real (DDR).
A primeira surgiu em 1972 após uma  cisão com a Torcida Uniformizada do São Paulo (TUSP) e, desde então, se tornou referência para a maior parte dos torcedores tricolores.
Quem frequenta o estádio sabe que é esta a torcida responsável por comandar os gritos que são cantados pelas outros setores. Pela quantidade de membros e posição privilegiada na arquibancada laranja, a TTI é a grande voz do Morumbi.
De forma não tão agradável, vem da Independente também o histórico de grandes brigas com as organizadas de outros times.
Já, colada na torcida adversária, também no setor laranja das arquibancadas, se localiza a Dragões da Real.
A fundação datada de 1984, apesar de mais recente, não impediu que a Dragões conquistasse também os seus adeptos membros. Vestidos de vermelho e contrastando com o branco da Independente, o grupo se solidificou e criou uma identidade muito grande com um nicho de torcedores.
 
Dragões da Real
 
Sua bateria, que hoje acompanha também a sua escola de samba na primeira divisão do carnaval paulista é de grande qualidade e sua levada das batidas e variedades de instrumento enobrecem e muito o espetáculo Tricolor.
Vale ressaltar que como toda organização, estas torcidas possuem sede, conselheiros, diretores e obviamente, um presidente. São esses os responsáveis por encabeçar a organização da torcida, do transporte de seus membros até os diferentes estádios do Brasil, a confecção dos tradicionais bandeirões e outros materiais e, quando necessário, por representar as torcidas.
O Blog do Tim, ao elaborar esse texto, não podia deixar de conversar com um destes importantes personagens das arquibancadas tricolores. A conversa tinha como principal foco compreender como estes membros chegaram as torcidas e de que forma eles analisam a atuação destes grupos.
Na ponta esquerda da arquibancada laranja está André Azevedo, 32 anos, responsável por presidir a Dragões da Real e comandar o forte ritmo da bateria no estádio.
 
Dragões da Real
 
André Azevedo, atual presidente da Dragões da Real
 
André começou a frequentar os estádios com seu pai aos 12 anos no início da década de 90. Aos 15 já estava nas arquibancadas por conta própria. Ele conta que desde o início se surpreendeu com a organização das torcidas: “sempre admirei a festa das organizadas e por isso quis entrar para uma. Dessa forma, no ano 2000 me tornei membro da Dragões” Provavelmente não imaginava na época que em 2005 já seria diretor e que, em um ano, assumiria a Presidência.
Quando perguntado sobre o crescimento da torcida do São Paulo André foi enfático: “é evidente o crescimento da torcida Tricolor, vide os jogos do São Paulo no interior do estado, bem como norte e nordeste do país. Entretanto, vale ressaltar que esse crescimento não necessariamente reflete em qualidade. Eu costumo comparecer a praticamente todos os jogos e a torcida É SIM de jogos decisivos e finais. É uma torcida que cresceu em função dos títulos da equipe e não criou uma identidade de amor ao clube. Nas próprias organizadas temos esse perfil de torcedor”.
 
Dragões da Real
 
Um assunto sempre levantado quando se tratam das organizadas é a violência nos estádios e de que forma essas torcidas podem colaborar para diminuí-la (vide o lamentável fato ocorrido recentemente entre os torcedores do Corinthians e do Palmeiras). O presidente acredita que, apesar dos tristes fatos, existem pessoas boas envolvidas nas torcidas organizadas e que é criado um estigma pela Sociedade quando tratam desse perfil de torcedor “a sociedade generaliza e esquece que existem os dois lados da moeda como em qualquer outro segmento”. E ainda acrescenta que a mídia colabora para essa imagem “a torcida organizada é uma fatia da sociedade como qualquer outra. Não temos perfeição na política, na polícia e em muitas outras áreas, mas pelo perfil da violência a torcida é muito mais exposta”.
Entretanto André acredita que a torcida organizada pode ter um papel importante na diminuição da violência, o membro da Dragões alega que algumas torcidas já conversam com seus membros tentando conscientizá-los, apesar de não ser uma filosofia unânime “algumas organizadas orientam e tentam evitar confrontos. Estaria bem pior, mas hoje vejo evolução em várias lideranças, mas com certeza não todas. Algumas ainda tem um pensamento arcaico e estão a frente desses grupos”.
 
Dragões da Real
 
Um fato interessante quando se trata da Dragões da Real é sua história dentro do Sambódramo. A escola de samba da Dragões vem em crescente evolução, figurando hoje no grupo especial de desfile da capital paulista. O blog questionou André se ele acredita que uma variação como esta no papel da torcida organizada pode ajudar para melhorar sua divulgação, imagem e consequentemente algumas condutas “Sim. Pois mostramos para a sociedade um outro lado, o lado do bem, o lado de pessoas capacitadas, assim poderemos enfim balancear essa imagem, que percebam que nas torcidas também existem pessoas boas. Além do samba temos também vários projetos sociais”.
Em 1996 após brigas de torcidas foi aprovada uma polêmica lei estadual que, dentre outras medidas, proibiu o ingresso dos mastros nos estádios. Desde então as famosas bandeiras hasteadas não são mais vistas nos jogos em São Paulo. André vê com maus olhos a decisão e a postura do Estado: “sem dúvida é o Estado mais chato e maçante para se torcer no Brasil”.
 
Dragões da Real
 
Seguindo a legislação, também é proibido no Brasil atualmente o consumo de bebidas alcoólicas no interior dos estádios (ponto polêmico da copa que ainda será abordado pelo blog). André, totalmente desfavorável a decisão rebate “É ridículo. Essa regra é ultrapassada e não atinge o seu objetivo. Todos bebem na porta do estádio, não faz diferença alguma. Além do mais, em teatros e shows essa regra não existe” lamenta o presidente.
Com a Copa do Mundo chegando, restou ao final da entrevista uma dúvida sobre o papel das organizadas nesse torneio. O blog perguntou ao presidente se ele acreditava que poderia haver união delas em favor da seleção e, permitir dessa forma, um espetáculo mais interessante “acredito que não. Infelizmente a maioria das torcidas não está preparada para isso”.
Ao final da matéria podemos ver que não é apenas de violência que vivem as torcidas. Fica evidente que estes grupos ainda precisam evoluir muito, mas que alguns deles caminham para um bom futuro.
Até porque, qualquer assíduo frequentador dos estádios sabe da importância que esses grupos tem para o grande espetáculo do futebol.
 
Dragões da Real
 
Não deixem também de acessar o site da Dragões da Real para conhecer um pouco mais sobre a sua história e atuação nos estádios.
 
www.dragoesdareal.com.br
 
Saudações Tricolores,
 
Tim
 
Fonte: http://timarantes.wordpress.com/
postado por Dragões da Real às 16:55

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